Os músculos isquiotibiais, que ficam na região posterior das coxas, são importantes para movimentos como o de extensão dos quadris e o de flexão dos joelhos. Por serem bi-articulares (passando por quadris e joelhos), eles apresentam incidência elevada de lesões.
Antes de falarmos sobre suas lesões, é importante diferenciarmos as tendinopatias das roturas do músculo. Entre corredores, a tendinopatia geralmente é caracterizada por dor glútea profunda, principalmente ao sentar ou ao aumentar a velocidade, e é mais comum em quem treina longas distâncias. Já a rotura é um quadro agudo, em que o atleta sente dor posterior na coxa e não consegue mais fletir o quadril ou estender o joelho sem dor, e é mais comum em atividades que envolvam explosão muscular. Vamos falar a seguir sobre as roturas.
A maior parte das lesões nos isquiotibiais ocorre quando o músculo está contraindo excentricamente (enquanto suas fibras se alongam). Para evitar que elas ocorram, é preciso trabalhar a força dos tendões (local mais comum de lesão), o alongamento das fibras e o equilíbrio muscular. É muito comum o atleta fortalecer quadríceps e negligenciar os isquiotibiais, gerando uma desproporção de força que predispõe à lesão. Outro ponto importante é analisar a mecânica do movimento – pequenos erros posturais podem causar grandes estragos.
Lembre-se que a dor sempre deve ser vista como um sinal de alerta do corpo, e não como algo que acompanha o atleta. Quando ela surgir, é importante procurar um médico para saber qual é sua origem e qual o tratamento mais adequado.
O tratamento da rotura deve ser individualizado. A maioria das lesões musculares é tratada de maneira não cirúrgica e com um protocolo de reabilitação funcional, ou seja, visando tornar o retorno do atleta à sua atividade o mais breve possível.