O termo calcanhar de Aquiles – guerreiro grego que morreu com uma flechada no calcanhar – é usado coloquialmente quando nos referimos ao ponto fraco de uma pessoa. E entre corredores o tendão de Aquiles é de fato bastante vulnerável. “A tendinopatia é uma degeneração crônica do tendão em que o atleta sente dor progressiva e tem um inchaço difuso ou localizado na região posterior do tornozelo”, explica Pedro Pontin, ortopedista da Care Club especializado em pés e tornozelo. Entenda melhor o que é, como evitar, diagnosticar e tratar esse tipo de lesão.
O que é: “A tendinopatia é uma degeneração crônica do tendão e sua incidência é de aproximadamente 10% em corredores. As células do tendão, chamadas tenócitos, sofrem lesões sucessivas e o tecido cicatricial formado (fibrose) possui uma capacidade fisiológica pior em relação ao tecido original, implicando em perda de função. A tendinopatia pode ocorrer, essencialmente, na substância do tendão (entre 2 a 6cm distante do calcâneo) – são 55% a 65% dos casos –, ou na sua inserção (onde gruda no osso do calcâneo) – de 25% a 35% dos casos.”
Por que ela acontece: “O que se sabe até hoje é que não existe uma única causa responsável por sua origem, ela é multifatorial. Há fatores intrínsecos (da própria pessoa) e extrínsecos (externos ao corpo) que levam a uma tendinopatia. Os principais intrínsecos estão relacionados à idade da pessoa, a alterações do complexo muscular gastro-solear (músculos da panturrilha), o sobrepeso e obesidade, à presença de doenças como diabetes, ao uso de corticoesteróides por longa data, ao hipotireoidismo e à dislipidemia (alteração do colesterol), entre outros.
Já as mudanças no padrão de treinamento, uma técnica inadequada, lesões prévias, calçados e fatores ambientais, como treinamento em superfícies duras, escorregadias ou inclinadas, são fatores extrínsecos que podem predispor o atleta à doença.”
Sintomas: “Os principais sintomas são dor progressiva, inchaço difuso ou localizado na região posterior do tornozelo, espessamento do tendão, sensação de rigidez da articulação do tornozelo, limitação funcional progressiva para realizar os treinos (inicialmente os de maior demanda, como longos e de maior intensidade, e depois os mais simples, como regenerativos e de rodagem). Em situações mais avançadas, a tendinopatia pode limitar até atividades mais rotineiras, como caminhar ou ficar períodos prolongados em pé.”
Como diagnosticar: “Quando surge dor, o mais recomendável é se fazer uma avaliação médica. A história clínica é um fator muito importante, porque dados como rotina de treinos e práticas diárias, tanto domésticas como no trabalho, interferem no raciocínio clínico. O exame clínico normalmente já faz o diagnóstico, mas a complementação com exames de imagem é necessária para se estratificar a gravidade da lesão.”
Tratamento: “Ele é em grande parte feito por meio de reabilitação funcional fisioterápica, com aprimoramento do condicionamento do tendão (fortalecimento, ganho de flexibilidade), associada a medidas analgésicas ao longo das sessões. No insucesso do tratamento conservador, alguns casos (cerca de 25% a 45%) podem evoluir para tratamento cirúrgico. Atualmente, técnicas cirúrgicas mais modernas e com menores períodos de imobilização no período pós-operatório proporcionam resultados funcionais cada vez melhores.”