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4 Coisas que Todo Corredor Deve Saber Sobre Preparação Psicológica para a Corrida

por Marcela Gonçalves Freitas (Psicóloga Esportiva na Care Club Porto Alegre)

Correr é mais do que um teste de força física e resistência. É uma batalha psicológica contra a dor, o cansaço e as dúvidas. Como descreve o maratonista e escritor Haruki Murakami, em sua obra “Do que eu falo quando eu falo de corrida”, “em corridas […], o único oponente que você tem de derrotar é você mesmo, quem você costumava ser”. Nesse sentido, a preparação psicológica é tão crucial para o corredor quanto o treinamento físico e compreender os aspectos-chave desse esporte pode transformar a maneira como você corre.

1. Percepção de esforço: o “termômetro mental” da corrida

A percepção de esforço é nosso termômetro mental, uma medida subjetiva do quão desafiadora está sendo uma tarefa e do quão duro nosso corpo está trabalhando para se manter nela. Durante a corrida, essa percepção pode ser o fator limitante que nos faz desacelerar ou parar. No entanto, essa percepção é maleável e pode ser modificada tanto a partir da melhora do condicionamento físico quanto do treino mental, transformando esse obstáculo em um aliado durante a corrida. Estratégias mentais como manter um diálogo motivacional com você mesmo, diminuindo a percepção de esforço, pode permitir com que você consiga manter o ritmo de corrida por mais tempo.

2. Dor induzida pelo exercício: o desafio da tolerância

Como brilhantemente pontuou Haruki Murakami, “sentir dor é uma realidade inescapável, mas continuar suportando ou não é algo que cabe ao corredor”. Em outras palavras, a dor é inevitável na corrida, especialmente se você estiver percorrendo longas distâncias, mas a maneira como você a interpretamos pode variar enormemente. Enquanto alguns corredores percebem a dor como um sinal para parar, outros a percebem como um componente natural e intrínseco à corrida. Atletas treinados tendem a ter uma maior tolerância à dor, não porque a sintam menos, mas porque a aceitam como parte da experiência e compreendem que essa sensação dolorosa provavelmente cessará quando cruzarem a linha de chegada.

3. Motivação: o que motiva você para a ação

A motivação para correr é um processo complexo que influencia desde a iniciação até a continuidade do comportamento de correr. Os corredores têm tanto motivos extrínsecos (ganhar medalhas, patrocínios ou o reconhecimento dos outros, por exemplo) quanto intrínsecos (a melhora da saúde ou o prazer e a satisfação obtidos por meio da corrida, por exemplo) para correr e quanto mais motivados estiverem, certamente mais conseguirão perseverar diante de desafios e obstáculos. Portanto, estabelecer objetivos claros e realistas é crucial para manter a motivação, a regularidade e o desempenho durante o treinamento e as competições. Para definir metas efetivas, sugerimos a utilização do acrônimo “SMART” (metas específicas, mensuráveis, atingíveis, realistas e orientadas no tempo).

4. Emoções e sensações: correndo com “os nervos à flor da pele”

Durante uma corrida, especialmente em provas ou treinos intensos, é comum que os corredores experimentem uma gama de emoções e sensações, desde a ansiedade pré-competitiva até a exaustão e a euforia durante e após o evento. Em muitos cenários, não podemos controlar como inicialmente nos sentimos, mas, certamente, podemos exercer influência sobre essas emoções e sensações, a fim de diminuir ou aumentar a sua intensidade. Quando falamos sobre corrida, a forma como lidamos com as nossas emoções tem um impacto profundo no desempenho e na vontade de continuar correndo. Estratégias de regulação emocional, como a respiração profunda e lenta (respiração diafragmática), o diálogo interior positivo e motivacional (autofala) e a mentalização de desempenhos de sucesso (visualização) podem ajudar os corredores a manter o foco e a calma.

Conclusão: correndo com a mente e com o corpo

A preparação psicológica é um pilar fundamental para qualquer corredor, independente da distância a ser percorrida: desde os primeiros cinco quilômetros até a ultramaratona. Ao compreender como a nossa mente funciona na corrida e treiná-la para lidar com o esforço, com a dor, com as emoções e com a motivação para seguir correndo, podemos ultrapassar nossos limites físicos e alcançar novos patamares de desempenho.

Lembre-se, a corrida começa na mente antes de se manifestar nos pés.

MARCELA GONÇALVES FREITAS
É Psicóloga do Esporte na Care Club Porto Alegre/RS
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